quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cegueira




Pobre homem estúpido
Consegue ver se alma tem cor?
Não? E como esxerga diferença entre nós?

Quanta cegueira homem
Tanto sacrifício humano,
Tanta hostilidade,
Que ódio vulgar!

Não, não culpes Pandora
Ela apenas pôs na caixa o que sugeriu
E foi você quem a abriu
O mostro foi solto por suas mãos;

Mãos que castigam,
Que apontam como inferior,
E golpeiam a face do igual.

Não, não foi Pandora quem excluiu
Ela não marginalizou,
Pandora não tirou o direito,
Nem substituiu ar puro por câmara de gás

Que saudade tenho dos teus olhos infantis!
Eles que por todos brilhavam com igualdade.
Do teu coração também tenho saudade,
Já que era liberto de todos os grilhões que hoje te adornam.

Me diz homem,
Seus olhos azuis são capazes de identificar numa pilha de esqueletos
Os aristocratas e os escravos?
Porque a morte é incapaz de fazê-lo
E ela chega a todos. Sempre!

Aprende cego, que não se prende liberdade,
Enquanto for livre o pensamento
Note que o mundo é um gigante,
Um gigante em cores.

Deixe-me lavar toda a sua estupidez,
Com a água mais pura da terra:
A lágrima negra

Assim estará purificado
Dessa cegueira invertida
Que o faz pensar, sentir, respirar,
Tudo em branco.


Escrito por Érica Francisca de Souza

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