sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Fada
Quero ser adotada pela felicidade,
Me portar como Estrela,
Não caber em mim.
Quero evitar repetições,
Ser rara como pônei
E imaginada como unicórnio
Quero ser a dúvida constante:
Mito ou Verdade?
Quero viver como suicída,
Que nunca o ato concretiza.
Quero agir com despropósito,
Ter a insensatez do poeta,
Ser maestro da música em mim.
Quero um mundo de meninos,
Ser tão boa a ponto da renúncia,
E tão má para esquisofrenicamente ao outro me doar.
Quero mais ensurdecer o mundo com meus berros,
Do que viver enclausurada em minha mente
Quero o gosto amargo da derrota,
Ao doce da trapaça
Quero a companhia das borboletas,
E não de homens-abutre
Quero a cintilância
Ah! Como quero ser nobre ao falar,
E plebeu ao amar.
Quero nunca o céu olhar
E duvidar que de lá,
Alguém me olha de volta;
Quero ser mágica,
Ser música,
Ser musa
Quero todos os quereres,
Que tiver direito
E os que não tiver,
Os quero também
Quero a segurança do chão
Como também a corda-bamba do alerta
Quero tantos amigos
Quanto peixes ao mar
E com eles, em cardume caminhar
E depois de tudo isso querer,
A tudo isso ter,
Sou fada!
Escrito por Érica Francisca de Souza
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
A janela
Olhar. Simplesmente olhar. É o que ela fazia todos os dias. Olhava como se pudesse ver o mundo inteiro através daquela janela, já que era aquele o seu único meio de comunicação com o mundo exterior.
Kaila estava sempre à janela olhando a vida acontecer lá fora enquanto não podia levantar-se de sua cadeira de rodas, assim como também não conseguia mover se quer sua mão sem a ajuda de sua mãe. Todos imaginavam que deveria ser um sofrimento para a menina, a situação triste em que se encontrara desde o acidente. No entanto, não era assim que ela se sentia. Por mais que as coisas fossem difíceis não aparentava depressão, nem se sentia uma coitada. Sua única exigência era que sua cadeira ficasse próxima à janela.
Todas as pessoas que passavam em frente a casa já a conheciam. Seu olhar profundo e concentrado fazia com que as coisas que ela observava aparentassem um pouco de magia. Era um olhar diferente um jeito único de quem vê e sente o mundo de uma forma singular.
Kaila era feliz. Sua vontade de viver fazia com que todas as suas limitações fossem apenas mais um detalhe. O importante era estar ali. Poder ver o sol e as flores, sentir o vento acariciar seu rosto e bagunçar seus cabelos. Estar viva! Ah!... Como era bom estar viva. E ela estava.
Às vezes ficava pensando que se não fosse o maldito acidente, ela jamais descobriria a beleza da vida, uma vida que até então ela desconhecia, jamais experimentaria da simplicidade de ser feliz, não aprenderia a ver a magia natural que há nas coisas simples e boas, talvez nem aprendesse a amar de verdade quem sempre a amou incondicionalmente, sua mãe. Antes sua vida se resumia a baladas, bebidas, drogas e falsos amigos. Entretanto, nada disso trouxe a ela a paz que sempre procurou. Não que fosse bom estar paraplégica, mas foi por meio desse incidente catastrófico que a felicidade e a paz se revelaram a ela como um sol que revela o dia com seus raios majestosos todas as manhãs, como as ondas que revelam toda a magia e encantamento do mar. A vida havia se mostrado de uma maneira tão extraordinária que ela não conseguia e nem queria encontrar motivos para ficar triste ou lamentar sua situação. Foi por aquela janela que ela olhou e viu o mundo pela primeira vez.
Texto de Fernanda Martins
Presentes de Guerra
Para batalha!
Há alvos para seu gatilho
Marche! É hora de matar,
A sua glória é sangue.
Atire!
É um desconhecido inimigo
Ele não tem rosto,
Só uma pátria
Bombardei!
Você não é um homem,
É uma máquina de matar.
Não chores,
Os que aqui te enviaram
Aplaudem o espetáculo da morte.
Se orgulhe exímio atirador
A criança caída no chão,
Já não respira
Marque!
É o seu território,
Você o usurpou
Veja!
São cachorros a comer carne humana,
Você foi canibal primeiro
Lute!
A guerra não é sua
Mas já não és inocente
Chore!
Alguns de seus companheiros
Não voltaram
Culpe-se!
Você foi o juiz que condenou bebês
A serem órfãos na vida
Corre! Há um paraíso à sua espera
Lá não há granadas
Você levou todas para o lugar onde um dia,
Foi o paraíso de alguém
Invente desculpas,
Se iluda.
Isso não remove sua culpa
Não se envergonhe,
Você será homenageado,
Pelos que não viram o horror
Pegue. Sua brilhante medalha,
Seu diploma,
Ceifeiro da vida!
Tome! É a sua medalha,
Que pendurada num lugar de honra,
Não permitirá que durmas,
Uma só noite
Tome! É a sua medalha,
Pesada hein?
É o corpo de cada vítima sua
Agora suplique,
Para que um dia você não sinta,
O cheiro de sangue,
De corpos podres.
Para que um dia deixe de ouvir,
Gritos de socorro,
Urros de dor,
Choro de mães.
Suplique que um dia a imagem da menina,
A vagar sozinha à lugar algum,
Seja de sua memória apagada
Não se engane,
Você não foi vencedor,
Não nesta guerra.
Você também foi destruído.
Pior soldado, você morre em vida,
Por jamais esquecer os olhos,
Que com terror te suplicaram a misericórdia.
Escrito por Érica Francisca de Souza
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Desconhecimentos
A mulher olhava-o enquanto dormia. Há algum tempo tinha verdadeiro contentamento em fazê-lo, agora parecia algo alheio.
"Como deixara que isso acontecesse? Como permitira ser pego?!"
As pessoas geralmente perdem o encanto umas com as outras à medida que se conhecem e nada de novo acrescentam à suas vidas. Cléo sempre queria o novo, o desconhecido era um verdadeiro vício. Tinha uma vida fadada a conhecimentos necessários e desnecessários: inglês, francês, piano, ballet, jazz, pintura, montaria, literatura etc. Sua vida era um planejamento só. Sabia o que iria ocorrer minuto após minuto. E a possibilidade do desconhecimento de algo ou alguém era-lhe muito atraente.
De beleza bastante acentuada, odiava espelhos: "Não há novidades, só o refletir tal como somos".
Ao ver o marido dormindo aquela noite se recordava com saudade dos tempos áureos em que seu marido era a personificação do mistério, do imprevisto. Por isso casou- se com Tiago. Era a novidade que a chamava para ele, sim, o novo, o desconhecido.
Tiago era tudo isso. A aura de mistério que o envolvia a deixava tão segura, tão feliz. Era esse elo de união juntamente com o abismo de incerteza de cada passo seguinte que Cléo tanto buscara. Ele era tão surpreendente quanto um rock cantado em outra língua, que faz com que seus ouvintes deduzam que sua letra fale de coisas macabras e no entanto é a pureza da rosa que ele traz. Era enigma que não tinha a menor intenção de desvendar. Preferia-o assim: quebra-cabeças de mil peças embaralhado. Seu beijo, abraço, carinho,sexo sempre eram diferentes.
"A gente ama mesmo sem conhecer", dizia Cléo.
Nem mesmo no dia do casamento Tiago deixou de ser surpresa. Imaginem qual foi o choque da noiva ao vê-lo chegar para buscá-la e a acompanhar até o altar. Chegou a sentir raiva na hora. "Isso dá azar" respondeu logo, tentando esconder seu vestido. "Azar vai dar se você me deixar plantado aqui" disse ele sorrindo.Aquela raiva súbita deu espaço à extase da incompreensão que tanto venerava.
Cada segundo da vida a dois tinha sido banhado de um estarrecimento feliz.
Tiago era como um susto. Ninguém espera um susto. Assim era seu marido: o inesperado.A acordava no meio da noite para dançar á luz da lua, interrompia reuniões importantíssimas para lhe fazer declarações de amor, dava-lhe de presente viagens inusitadas (ela até já havia participado de rituais indígenas), comeu olho de um animal que preferiu nem saber qual era. Compôs para a esposa uma música em japonês - horrível por sinal- que adorava vê-lo cantar e dançar pois era muito engraçado.
Por isso ao olhar Tiago aquela noite repetia mentalmente essa pergunta:" Como você permitiu ser pego? Onde está o meu homem desconhecido? Por que me permitiu conhecê-lo?.Tinha os olhos rasos de água tanta era a tristeza que consumia. De uns meses pra cá estava diferente, previsível. E por mais que procurasse vestígios daquele desconhecido tão íntimo ficarava cada vez mais perigosa a procura, pois percebia que se distanciava...e se distanciava. Não que tivesse mudado com ela. Isso não.Dispensava-lhe o mesmo amor, afeto e atenção dos primeiros dias que se conheceram, sua mudança era de atitude.
Sabia exatamente a hora que iria sair, quando chegaria para o almoço, a hora que passaria para buscá-la no trabalho e até o deitar dele. Tudo parecia metodicamente planejado. A sensação que Cléo tinha era que se ela se esforçasse consiguiria até ler o pensamentos dele.O que era culto ao desconhecimento virou frustração, pois o que excitava Cléo era o desconhecido. Desconhecido que agora tinha virado o óbvio.Sentia saudades. Em outros tempos Tiago jamais permitiria que o conhecesse na íntegra. "Definir é limitar-se " era sua frase favorita e acrescentava: "Sou o indefínível inconstante, pois não tenho limites". Parece que tudo isso havia mudado.
É, parece que o indefinível inconstante tinha razão. Numa manhã, quando trocava ração de um canário que ele havia ganho à sua revelia, notou no papel que forrava a gaiola um bilhete com letra feminina. Nele identificou o nome do marido. A pós trocar a ração, tirou o papel da gaiola substituindo por outro e põs- se a ler o bilhete que dizia: " Querido Tiago, temos um tempinho antes que você volte para casa.Te espero cheia de paixão. Ass: Letícia".
Tremeu. Uma convulsão a dominou. O coração fulminavae lágrimas corriam à face. Agora a compreensão, o porque dele jamais se atrasar, de estar em casa o mesmo horário sempre, os compromissos juntos sempre cumpridos.
A alegria lhe invadiu o espírito de tal forma que ela pensou poder voar. Até voava em pensamento. Ele estava lá todo o tempo. Ainda era o mesmo, o outro, o susto, a surpresa. Ainda era dela.
Naquele dia ao chegar em casa Tiago foi recepcionado com o pular de pescoço de Cléo que quase o derrubou.
- Obrigada por ainda estar aí amor. Te amo!
Foi o disse ao beija-lo longamente....
Escrito por Érica Francisca de Souza
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Reencontro
Estava no quarto e ouvi alguém bater à porta, desci a escada correndo, sabia que era ele... No entanto foi tão grande o impacto ao vê-lo que meu corpo trepidava. Por um instante pude contemplar a beleza que há em seu rosto, suas expressões... Mas desviei o olhar. Tentei não encher meu coração de esperança, mas seu olhar era tão penetrante que mal consegui não fixá-lo.
Era estranho pensar que aquele homem, era o homem que eu amava pensar que fomos tão felizes juntos e, de repente estávamos ali feito dois desconhecidos. Nunca entendi o motivo que o trouxera à minha casa aquela noite, entretanto ele estava ali. E isso era só o que me interessava e, nada mais, nem mesmo os anos que passamos longe um do outro, discussões, os desencontros, nada podia nos interromper.
Nos abraçamos.
Naquele momento não consegui pensar em nada além de nós. Em seguida nos olhamos, até então não havíamos trocado uma palavra se quer, a emoção falava por nós. Nos encontramos naquele olhar, que ao mesmo tempo que nos aproximou nos deixou imóveis por alguns segundos. Retomamos o abraço. Sentia o calor forte que emanava de seu corpo, eu já não relutava mais em olhá-lo, queria senti-lo, tê-lo perto de mim.
E finalmente nos beijamos. Foi tão perfeito e irreal, que quase não acreditei. Ele me abraçou mais forte, e olhou fixo em meus olhos. Parecia contemplar meu rosto, mas era como se através dele pudesse ver minha alma. Senti naquele instante que sempre nos amamos, e ainda que eu não acreditasse estava tudo ali naquela sala. Uma explosão tomou conta de mim, mal sabia o que dizer, e o perguntei por que havia voltado e disse-me apenas –“Eu te amo, sempre amei.” Estas palavras ecoaram tão profundamente em mim que perdi as palavras, o abracei novamente e o beijei, apenas o beijei.
Começou a chover lá fora, mas nem demos conta. Nossos corpos se envolveram com tamanha paixão que não éramos mais ele e eu, havia apenas nós dois. Era tão tátil e ao mesmo tempo abstrato que não pude compreender. Mas como entender algo inexplicável como o amor?
Era estranho, as coisas aconteceram muito rápido que não conseguia assimilar nada. E ainda estávamos lá, eu recostada em seu peito envolta por suas mãos que eram como uma fortaleza a me proteger de tudo que pudesse nos separar. Queria congelar aquele instante. Guardar para sempre as imagens, os gestos tão significativos e cruciais em nosso reencontro. Tinha medo de que partisse outra vez, e quis ficar ali, só ficar. Nosso amor selado com um abraço em uma noite de chuva. A chuva que o trouxe de volta à nossa casa. E até hoje não sei bem qual o propósito daquele evento estranhamente louco.
Fernanda Martins
SUGESTÕES
Sugiro que ouça. Ouviu?
É o calar das ondas,
Ele indica que um amor acaba de morrer.
Sugiro que ouça. Ouve.
São gritos de dor de um alguém solitário.
Sugiro que vejas. Vês?
A outra metade desistiu no caminho.
Sugiro que sintas,
É o fardo de ser deixado livre.
Sugiro que se permita ser mal e bem
Sugiro que se entregue,
Que se cale
Palavras agora são desnecessárias.
Sugiro que odeie,
E que em seguida ame
Sugiro que se desconheça
E se orgulhe disso.
Sugiro que enlouqueça
É a sua dor,
O seu desespero
Sugiro que se perca
E que se encontre com outros perdidos,
E que continuem a se perder.
Até então ser achado,
E achar
Uma nova caminhada.
Outros personagens.
Érica Francisca de Souza
É o calar das ondas,
Ele indica que um amor acaba de morrer.
Sugiro que ouça. Ouve.
São gritos de dor de um alguém solitário.
Sugiro que vejas. Vês?
A outra metade desistiu no caminho.
Sugiro que sintas,
É o fardo de ser deixado livre.
Sugiro que se permita ser mal e bem
Sugiro que se entregue,
Que se cale
Palavras agora são desnecessárias.
Sugiro que odeie,
E que em seguida ame
Sugiro que se desconheça
E se orgulhe disso.
Sugiro que enlouqueça
É a sua dor,
O seu desespero
Sugiro que se perca
E que se encontre com outros perdidos,
E que continuem a se perder.
Até então ser achado,
E achar
Uma nova caminhada.
Outros personagens.
Érica Francisca de Souza
VAZIO
Lance-me aos lobos,
Lace-me o corpo
Não por ser seu fracasso
Mas, por mostrar que você não é gigante.
Trema!
Frieza por não ter amor,
Porque eu tenho olhos embassados ao desviar da tua direção;
Porque a cegueira me faz enxergar melhor
Porque se vai, fico triste
E se chega, fico nervoso
Lance-me aos lobos,
Já que não corre risco
Risque-me!
Já que não me pode apagar
Note que eu fui machucado,
Mas te socorri
Que eu fui esquecido,
Mas tentei de novo.
Sufoque-me,
Porque suas tentativas,
Não conseguiram me enfraquecer.
Puna-me!
Eu sempre juntarei os cacos,
Amor é fênix.
Lance-me aos lobos,
Com eles uivarei.
Lance-me por te revelar que ninguém é digno de assim ser amado,
Se não for capaz de amar.
Érica Francisca de Souza
PONTOS
Ela que era sempre interrogação
Trombou com ele,
Que era pura exclamação
Nesse instante o coração de cada um recebeu uma visita.
Uniram-se de pronto.
Ele brisa.
Ela tornado.
Ele, ouro reluzente,
Ela a prata brilhante
Ele o poema
Ela o rock
Entre os dois a paixão sublime
Ela interrogação
Ele exclamação
E as reticências de um começo sem fim.
Érica Francisca de Souza
DESABAFO
Coadjuvante de minha própria história
Totalmente desligada do corpo
Mente em devaneio
O levitar do espírito
Você que era dono da cena,
Que me dirigia,
Me repeliu.
Hipnotizada pela desgraça
Eu, imóvel assisto
Ao meu próprio abandono
Orfã no amor
Aqui, me vendo de longe
Sou apenas um quadro,
Sem graça e nem moldura
Um borrão. O rascunho do que deveria ser.
Uma inútil.
Apenas um espectro daquilo que fui
E que devastada,
Jamais voltarei a ser.
Érica Francisca de Souza
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Pesadelo
Abri os olhos, não vi nada
Inspirei, não tinha ar
Será que morri?
Impossível naquele instante
Ainda estava ali deitado puxando o ar que dali tinha fugido
Senti meus pulmões sucumbirem à falta do ar
Então acordei.
Texto de Fernanda Martins
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
As duas faces do tempo
Apesar de o tempo ser uma maldição é com o passar dele que se percebe o quanto as coisas são importantes, pois mesmo que se perceba isso no instante em que tudo acontece é depois que o tempo passa que tudo se torna maior e mais intenso porque foi capaz de resistir ao tempo.
O tempo grande senhor dos destinos, tem o poder de curar, mesmo sendo a perdição, a navalha que corta a pele até que sangre é ele que com o passar dos dias faz a pele se recompor e a ferida cicatrizar. É ele aquele que vem e traz consigo o futuro cheio de surpresas, é ele que tira à vida aos poucos, ao passo em que querem se livrar dele.
Faz da humanidade uma presa fácil, dócil e frágil, que pensa poder dominá-lo não compreendendo que tudo que resiste ao senhor tempo torna-se ruína, os que se deixam levar por ele só se vão lenta ou rapidamente, porém aqueles que fazem dele seu amigo e companheiro e decidem caminhar com ele o aproveita e vive. Inspira e transpira vida. Sabe que não adianta tentar matar o tempo, pois este gigante resistirá e prevalecerá até que nada mais exista.
Texto de Fernanda Martins
Incerteza
Fecho os olhos para o mundo e abro-os para mim
Me perco numa estrada que eu pensava conhecer
Percebo-me quieta nem céu, nem sol
Apenas eu abandonada em mim... Só
Sei o que não quero
Ainda não encontrei o que quero
Nem sei se estou à procura
Meus medos...
Estou perdida e a incerteza me tortura
A certeza de estar viva...
Procuro a cura
Não vou encontrar... eu sei
Volto correndo
Entrecorrendo meus pensamentos
Acho que estou sonhando
Bem perto da saída respiro... Penso,
Abro os olhos em fim
Voltei para o mundo onde não me perco
Sabendo um pouco mais de mim.
Texto de Fernanda Martins
A descoberta
Olhando o céu...
E foi assim que descobriu o mundo
Seu mundo
Se descobriu como o sol no início da manhã
E foi assim que aprendeu a viver
Mesmo sem perceber estava despertando para a vida
A sua vida
O dia passava e ela vivia
A vida reluzia em seu olhar
Era ela a bela que antes só sabia olhar
E olhando aprendeu a ver
Viu um mundo inteiro dizendo “eu quero você”
Ela o quis
E viveu de verdade...
Foi feliz
Texto de Fernanda Martins
A maldição do tempo
Somos bebês e nos acorda pois acha necessário que provemos da queda nos primeiros passos.
O tempo nos alerta que é chegada a hora de falar "mamãe", porque no decorrer dele aprenderemos frases importantes como "eu te amo".
Então descobrimos que é poderoso. O comandante das estações: no inverno, banhos de chuva com amigos. No outono, o lambuzar de deliciosas frutas. No verão, o calor gostoso ao andar de bicicleta. Na primavera, pétala por pétala da emoçao juvenil.
Ó tempo! Não quero saber o que é sofrer! E nem conhecer a dor passageira. Mas, o tempo parece ser surdo. Mais que isso: o tempo é implacável! Chega a adolescência: dúvidas, primeiro beijo, amores eternos que duram poucos meses, desilusões, muitos sorrisos e alegrias.
E quando já estamos acostumados com esse turbilhão de emoções, quem vejo ao longe? Quem? Eu o conheço, ah, como conheço! É o tempo ao bater em meu ombro e com os olhos me fala e eu imediatamente sei que acabou a festa, as incertezas, o direito de errar e errar continuamente. Acabou a sombra da proteção familiar. Ele tem outros planos, outro portal, outra vida.
" - Prazer, desculpe chegar tão depressa e de surpresa. Isso sempre acontece e quase ninguém se dá conta. Mas sou permanente.Sou a fase adulta. É chegada a hora de caminhar com as próprias pernas".
Ê tempo! Que parque é esse que mantém? Ora a roda gigante cheia de altos e baixos. Ora a montanha russa de velocidade e agilidade assombrosa: trabalho, filhos, família, eu.
Ninguém consegue entender o tempo. Esse tempo que não passa em nossas horas mais terríveis , mas, que insiste em voar na velocidade da luz quando vivemos os momentos mais felizes da vida.
Talvez seja por isso que a maldição existe: por querermos dominá-lo, por não respeitá-lo como merece. Daí a vingança.
Na verdade o tempo só é ameno quando, cansados das marcas por ele mesmo deixadas as pernas já não mais obedecem aos nossos comandos e a memória nos trai, chega sereno nos pega com cuidado pelas mãos e sussura com leveza:" Chegou a hora de escrever seu nome no livro da vida".
Por isso é inútil bricarmos de esconde-esconde com ele.Pois, a única forma de aplanar suas cicatrizes é viver de forma mais intensa possível, para que quando for chegada a nossa hora de ter os nomes escritos no livro, ele seja gravado com tinta de fixação eterna na memória do que ficaram. De geração em geração que lembrarão de nossas histórias e aventuras, onde a força do tempo é incapaz de arrancá-la de lá.
Texto escrito por Érica Francisca de Souza
O estranho
Olhos, boca, medo, respiração.
O vento.
E na altura de um abismo contei-lhe meus segredos
E ele me puxou de volta.
Disse-me que a loucura é a parte mais sã da vida, porque é ela que marca
Pulsei.
A vida se agitou.
Agora, um estranho conhecido,
Agora, não mais estranheza,
Agora, um lugar no mundo,
Agora por não mais precisar de um futuro tenho o presente
Presente que antes me era estranho.
O estranho,
Que não me tirou do breu,
Apenas entrou comigo nele e acrescentou estrelas
O efêmero se foi
Porque um estranho me mostrou meu eu
Um eu que me era estranho,
E agora é meu. Só meu.
Um poema de Érica Francisca de Souza
>A lição dos dez segundos
Dez segundos. Foi o que gastou para realizar a ligação a alguém que morava a cinco minutos de sua casa. Só dez segundos. Ao teclar cada número foram gastos apenas dez segundos. Apenas?!! O que acontece em dez segundos?
Bem, dez segundos pode ser o tempo de atraso e você perdeu o trem. Nele, a pessoa que sentaria a seu lado seria a mais importante de sua vida.
Dez segundos pode ser o último sopro de vida de um ente querido que partiu e você perdeu a oportunidade de ser a última imagem que ele viu em vida.
Em dez segundos o sinal fechou, o motorista da limusine com pressa não viu e um noivo ficou solitário no altar. E esse dia que seria marcado como o primeiro dia mais feliz do resto de suas vidas virou um pesadelo.
Dez segundos podem ser os primeiros passos de seu filhinho e quando você virou já era tarde. Ele estava sentadinho no chão.
Dez segundos de solidão que é muito para aquele que não tem mais vontade de viver. Dez segundos que podem ser transformados em minutos ou em horas, caso você esteja ao lado do dono de seu coração.
Isso mesmo, foram gastos preciosos dez segundos em uma ligação e o telefone não iria dar aquele abraço que irá te acalentar. Pelo e-mail ninguém vai perceber se no momento em que fora escrito aquele que o escreveu estivera triste ou alegre. Porque por e-mail não se vê brilho nos olhos, o movimentar da boca e nem o tremer das mãos.
A tela do computador não será fiel ao tentar demonstrar o tum-tum de dois corações ao se despedirem em um abraço.
A dimensão das gargalhadas de amigos felizes terão mais graça em tempo real e não na frieza de uma tela, ainda que esta seja a maior no mercado.
Lágrimas não poderão ser enxugadas se você estiver distante.
Brigar e imediatamente fazer as pazes tendo um beijo ardente como selo da reconciliação são coisas que apenas podem ser feitas ao vivo.
O cheiro de quem se gosta não pode atravessar a TV.
Uma mãe que oferece seu ventre apertadinho e seguro por meses, deseja mais que um postal. Deseja a união, o encontro, o aperto, pois, só isso lhe dará a certeza de que sua cria esteve bem durante o tempo que se manteve longe.
Sendo assim, busquemos valorizar a importância de cada segundo que podemos estar próximos daqueles que nos importamos. Para que um dia não desejemos com tristeza preciosos dez segundos perdidos.
As pessoas não podem ser substituídas por máquinas, afinal você não se casaria com um robô casaria?
Sim, pessoas não podem ser substituídas.
O tempo não volta. Nem dez segundos.
E ausência sempre irá significar a falta de presença.
Um texto de Érica Francisca de Souza
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Ímpar
Caminhando à beira do mar
O mar caminha em mim de alguma forma
A lua começa a surgir devagar
Continuo caminhando...
Continuo a observar o mar
Ainda que a tarde resista à noite
A lua não hesita em surgir majestosa no céu.
Meus olhos fitam o mar como se eu estivesse hipnotizado
Sinto-me como um lobisomem em noite de lua cheia
Uma vontade de sair correndo e gritar
Ao mesmo tempo em que tenho necessidade de me esconder
Torno- me apenas um isolado do mundo.
Estrangeiro em qualquer lugar.
Ímpar.
Texto de Fernanda Martins
Texto de Fernanda Martins
Assinar:
Postagens (Atom)










