quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Presentes de Guerra




Para batalha!
Há alvos para seu gatilho
Marche! É hora de matar,
A sua glória é sangue.

Atire!
É um desconhecido inimigo
Ele não tem rosto,
Só uma pátria

Bombardei!
Você não é um homem,
É uma máquina de matar.

Não chores,
Os que aqui te enviaram
Aplaudem o espetáculo da morte.

Se orgulhe exímio atirador
A criança caída no chão,
Já não respira

Marque!
É o seu território,
Você o usurpou

Veja!
São cachorros a comer carne humana,
Você foi canibal primeiro

Lute!
A guerra não é sua
Mas já não és inocente

Chore!
Alguns de seus companheiros
Não voltaram

Culpe-se!
Você foi o juiz que condenou bebês
A serem órfãos na vida

Corre! Há um paraíso à sua espera
Lá não há granadas
Você levou todas para o lugar onde um dia,
Foi o paraíso de alguém

Invente desculpas,
Se iluda.
Isso não remove sua culpa

Não se envergonhe,
Você será homenageado,
Pelos que não viram o horror

Pegue. Sua brilhante medalha,
Seu diploma,
Ceifeiro da vida!

Tome! É a sua medalha,
Que pendurada num lugar de honra,
Não permitirá que durmas,
Uma só noite

Tome! É a sua medalha,
Pesada hein?
É o corpo de cada vítima sua

Agora suplique,
Para que um dia você não sinta,
O cheiro de sangue,
De corpos podres.

Para que um dia deixe de ouvir,
Gritos de socorro,
Urros de dor,
Choro de mães.

Suplique que um dia a imagem da menina,
A vagar sozinha à lugar algum,
Seja de sua memória apagada

Não se engane,
Você não foi vencedor,
Não nesta guerra.
Você também foi destruído.

Pior soldado, você morre em vida,
Por jamais esquecer os olhos,
Que com terror te suplicaram a misericórdia.


Escrito por Érica Francisca de Souza

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