sábado, 12 de março de 2011

Adoção









Me adote criança
Me mostre como é não ter medo
Me ensine a correr como cavalos selvagens
Numa velocidade incontida

Queria ter sua agilidade
Em quebrar redomas de vidro
E sempre conseguir escapar

Como conseguem desaparecer assim?
Do alcance da visão alheia?
Me ensine criança

Tão pequena e já em poder
Que louco esse poder
De fotografar a alma adulta
Como identifica o perigo nas pessoas?

Me ensine essa brincadeira de esconde-esconde
Mostre o melhor esconderijo dos problemas
Leve-me a seu castelo

Ponha-me pra ninar
Cante uma música de duendes
Me banhe com pétalas de rosa
Me faça lembrar que tenho direito a sonhos

Que crescer não é sinônimo de renúncia
Que nem sempre banhos de chuva adoecem
E que ser feliz não é bobagem

Me faça ter a certeza que é errado pensar
Que há apenas uma fase
Para se ser feliz de verdade

Diga pra mim, por favor,
Que não existem erros incorrigíveis
Se nós quisermos

Como é criança,
Sorrir só por vontade?
E chorar sem ter vergonha?

Me adote pequena
Preciso ao passado voltar
Ver como eu era
Me resgatar

Me conte histórias
Me ponha como princesa nelas
E não esqueça de contar que as bruxas sempre perdem
Posso sim, ser adulto e criança numa só fase
Dormir agarrada a um ursinho
E ter amigos imaginários
Tudo posso se simplesmente me adotar.


Érica Francisca de Souza

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