Somos bebês e nos acorda pois acha necessário que provemos da queda nos primeiros passos.
O tempo nos alerta que é chegada a hora de falar "mamãe", porque no decorrer dele aprenderemos frases importantes como "eu te amo".
Então descobrimos que é poderoso. O comandante das estações: no inverno, banhos de chuva com amigos. No outono, o lambuzar de deliciosas frutas. No verão, o calor gostoso ao andar de bicicleta. Na primavera, pétala por pétala da emoçao juvenil.
Ó tempo! Não quero saber o que é sofrer! E nem conhecer a dor passageira. Mas, o tempo parece ser surdo. Mais que isso: o tempo é implacável! Chega a adolescência: dúvidas, primeiro beijo, amores eternos que duram poucos meses, desilusões, muitos sorrisos e alegrias.
E quando já estamos acostumados com esse turbilhão de emoções, quem vejo ao longe? Quem? Eu o conheço, ah, como conheço! É o tempo ao bater em meu ombro e com os olhos me fala e eu imediatamente sei que acabou a festa, as incertezas, o direito de errar e errar continuamente. Acabou a sombra da proteção familiar. Ele tem outros planos, outro portal, outra vida.
" - Prazer, desculpe chegar tão depressa e de surpresa. Isso sempre acontece e quase ninguém se dá conta. Mas sou permanente.Sou a fase adulta. É chegada a hora de caminhar com as próprias pernas".
Ê tempo! Que parque é esse que mantém? Ora a roda gigante cheia de altos e baixos. Ora a montanha russa de velocidade e agilidade assombrosa: trabalho, filhos, família, eu.
Ninguém consegue entender o tempo. Esse tempo que não passa em nossas horas mais terríveis , mas, que insiste em voar na velocidade da luz quando vivemos os momentos mais felizes da vida.
Talvez seja por isso que a maldição existe: por querermos dominá-lo, por não respeitá-lo como merece. Daí a vingança.
Na verdade o tempo só é ameno quando, cansados das marcas por ele mesmo deixadas as pernas já não mais obedecem aos nossos comandos e a memória nos trai, chega sereno nos pega com cuidado pelas mãos e sussura com leveza:" Chegou a hora de escrever seu nome no livro da vida".
Por isso é inútil bricarmos de esconde-esconde com ele.Pois, a única forma de aplanar suas cicatrizes é viver de forma mais intensa possível, para que quando for chegada a nossa hora de ter os nomes escritos no livro, ele seja gravado com tinta de fixação eterna na memória do que ficaram. De geração em geração que lembrarão de nossas histórias e aventuras, onde a força do tempo é incapaz de arrancá-la de lá.
Texto escrito por Érica Francisca de Souza

Lindo amei esse texto. O tempo é mesmo uma maldição, mas é também o remédio de muitas maldições. Parabens Érica.
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