Estava no quarto e ouvi alguém bater à porta, desci a escada correndo, sabia que era ele... No entanto foi tão grande o impacto ao vê-lo que meu corpo trepidava. Por um instante pude contemplar a beleza que há em seu rosto, suas expressões... Mas desviei o olhar. Tentei não encher meu coração de esperança, mas seu olhar era tão penetrante que mal consegui não fixá-lo.
Era estranho pensar que aquele homem, era o homem que eu amava pensar que fomos tão felizes juntos e, de repente estávamos ali feito dois desconhecidos. Nunca entendi o motivo que o trouxera à minha casa aquela noite, entretanto ele estava ali. E isso era só o que me interessava e, nada mais, nem mesmo os anos que passamos longe um do outro, discussões, os desencontros, nada podia nos interromper.
Nos abraçamos.
Naquele momento não consegui pensar em nada além de nós. Em seguida nos olhamos, até então não havíamos trocado uma palavra se quer, a emoção falava por nós. Nos encontramos naquele olhar, que ao mesmo tempo que nos aproximou nos deixou imóveis por alguns segundos. Retomamos o abraço. Sentia o calor forte que emanava de seu corpo, eu já não relutava mais em olhá-lo, queria senti-lo, tê-lo perto de mim.
E finalmente nos beijamos. Foi tão perfeito e irreal, que quase não acreditei. Ele me abraçou mais forte, e olhou fixo em meus olhos. Parecia contemplar meu rosto, mas era como se através dele pudesse ver minha alma. Senti naquele instante que sempre nos amamos, e ainda que eu não acreditasse estava tudo ali naquela sala. Uma explosão tomou conta de mim, mal sabia o que dizer, e o perguntei por que havia voltado e disse-me apenas –“Eu te amo, sempre amei.” Estas palavras ecoaram tão profundamente em mim que perdi as palavras, o abracei novamente e o beijei, apenas o beijei.
Começou a chover lá fora, mas nem demos conta. Nossos corpos se envolveram com tamanha paixão que não éramos mais ele e eu, havia apenas nós dois. Era tão tátil e ao mesmo tempo abstrato que não pude compreender. Mas como entender algo inexplicável como o amor?
Era estranho, as coisas aconteceram muito rápido que não conseguia assimilar nada. E ainda estávamos lá, eu recostada em seu peito envolta por suas mãos que eram como uma fortaleza a me proteger de tudo que pudesse nos separar. Queria congelar aquele instante. Guardar para sempre as imagens, os gestos tão significativos e cruciais em nosso reencontro. Tinha medo de que partisse outra vez, e quis ficar ali, só ficar. Nosso amor selado com um abraço em uma noite de chuva. A chuva que o trouxe de volta à nossa casa. E até hoje não sei bem qual o propósito daquele evento estranhamente louco.
Fernanda Martins
Momento Sabrina,Bianca...rs
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